No cyberdivã

12/08/2011 11:46

Conforto
Breno Gorgulho em casa: sessão online

Pacientes trocam os tradicionais consultórios dos psicólogos pela conversa virtual e fazem terapia por meio do computador, sem pegar trânsito e pagando menos.

São quase 20 h na cidade de São Paulo e o gestor de negócios Breno Gorgulho, 33 anos, se aninha em uma confortável poltrona de sua casa. Com calma, ele abre o laptop, entra com seus dados num site e dá início a mais uma das 20 sessões de orientação psicológica que comprou pela internet. Do outro lado, um psicólogo acompanha o desfiar das aflições do paulistano por meio de uma webcam. Pelo encontro, que durará 50 minutos, Gorgulho desembolsará R$ 65. “É uma maravilha”, diz ele. “Só o tempo que eu economizo não tendo que me deslocar pelo caos que é o trânsito já vale o investimento”, sintetiza. Atualmente, 62 sites têm autorização do Conselho Federal de Psicologia (CFP) para prestar esse tipo de serviço pela rede (obtida em 2010, quatro vezes mais que os registrados em 2009).

Mesmo que os 50 minutos de atendimento funcionem quase da mesma forma que uma psicoterapia breve – centrada em um problema específico e com duração limitada –, a orientação psicológica virtual ainda não pode ser descrita e vendida dessa maneira, embora em países como o Canadá e a Inglaterra isso já aconteça. “O CFP tem receio de autorizar os sites a chamar esse serviço de terapia por não saber muito bem como fiscalizar os atendimentos”, explica a psicóloga brasileira Milene Rosenthal, dona do Psicolink. Com o tempo, porém, tudo indica que o conselho autorize essa mudança, que deve trazer ainda mais pacientes aos consultórios virtuais. “A meu ver, os benefícios são maiores que os prejuízos”, diz Luciana Ruffo, psicóloga do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Luciana lembra, por exemplo, que as sessões pela internet facilitam o tratamento de pacientes que têm dificuldades físicas ou psicológicas para sair de casa ou, ainda, de pessoas que moram no Exterior e não falam a língua local. A dificuldade de locomoção em grandes cidades também pesa. “Mas falta a presença física, há a questão dos problemas técnicos durante o atendimento e a fragilidade do sigilo no mundo virtual”, ressalva. Com o tempo, tudo indica que a orientação psicológica virtual entrará para a lista de ferramentas dos psicólogos, que continuarão atendendo presencialmente, mas terão essa opção para ajudar o crescente número de aflitos que inundam seus consultórios. 

Fonte: IsTo É - http://www.istoe.com.br/reportagens/145377_NO+CYBERDIVA

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